19 ANOS DEPOIS, ELES CONTINUAM EM QUADRA: A PELADA QUE VIROU HISTÓRIA EM VALPARAÍSO
POR ARY DOS REIS
Entre gols, rivalidade, resenha e amizade, uma das mais tradicionais peladas de veteranos mantém viva sua história dentro e fora das quadras.
Outras atravessam os anos, criam amizades, acumulam histórias e passam a fazer parte da vida de quem participa.
É assim com a tradicional Pelada de Veteranos de Futsal no Ginásio Jardim Oriente que chega aos seus 19 anos de existência ininterrupta, reunindo diferentes gerações em torno de uma paixão que parece não envelhecer: o futebol.
Mais do que correr atrás da bola, esses veteranos construíram uma história marcada por amizade, saúde, competitividade e, principalmente, pelo prazer de continuar jogando.
ONDE TUDO COMEÇOU
Um dos capítulos importantes dessa trajetória aconteceu em 2007, quando os amigos Ary, Rivaldo e Moacir perceberam uma realidade enfrentada pelos jogadores mais experientes.
Ao assumir a direção do Ginásio Jardim Oriente, o jornalista Ary dos Reis se reuniu com Rivaldo e Moacir.
Juntos, perceberam que havia poucos espaços e atividades destinados especificamente aos atletas veteranos.
Muitos jogadores, ao chegarem a essa categoria, precisavam disputar as tradicionais peladas com atletas bem mais jovens.
Era preciso criar um espaço próprio.
E a ideia saiu do papel.
Assim nascia a Pelada de Veteranos de Futsal, que começou de forma simples, com cerca de sete atletas, e hoje se consolidou como um grande encontro esportivo, reunindo mais de 90 jogadores.
Pouco depois, numa iniciativa do Rivaldo a turma também ganharia sua versão no futebol society.
No início, a proposta ia além da confraternização.
Os encontros também serviriam como preparação para a participação em competições.
Com o passar do tempo, porém, o projeto encontrou uma identidade ainda mais forte.
A competição oficial deixou de ser prioridade.
A amizade ficou. A bola ficou. E a tradição cresceu.
UMA TURMA QUE VIROU FAMÍLIA
Aos poucos, outros amigos passaram a participar diretamente da organização.
Nomes como Rivaldo, Paulo Pestana, Moacir, Gustavo, Abilio, Ninha, Celio, Humberto, Fábio Goleiro, entre outros, ajudaram a fortalecer o grupo.
Com eles vieram mais organização, equilíbrio entre as equipes e partidas cada vez mais disputadas.
O que poderia ser apenas mais uma pelada passou a ocupar um espaço especial na vida dos participantes.
Mesmo com trabalho, família, compromissos e a correria cotidiana, existe aquele momento reservado para encontrar os amigos, colocar o uniforme e entrar em quadra novamente.
E quando a bola rola, idade vira apenas um número.
As regras são levadas a sério. A disputa é forte. Ninguém quer perder.
Mas, terminado o jogo, permanece aquilo que ajudou essa história a atravessar tantos anos: o respeito e a amizade.
Atualmente, a organização está nas mãos dos amigos Paulo Pestana, Rivaldo, Humberto, Ninha e Célio, que ajudam a manter viva uma tradição construída por muitas pessoas.
OS PERSONAGENS QUE FAZEM A HISTÓRIA
E pelada tradicional que se preze também tem seus personagens inesquecíveis.
RIVALDO: O PULMÃO E UMA DAS LIDERANÇAS DA PELADA
Dentro de uma pelada que atravessa gerações, alguns personagens se destacam não apenas pelo futebol, mas pela responsabilidade que assumem para que tudo continue funcionando. Rivaldo é um deles.
Considerado o “pulmão da pelada”, está entre os nomes de destaque também pelos gols e pela liderança.
Dono de personalidade forte, conduz muitas situações com muita firmeza e ao mesmo tempo com tranquilidade, dentro e fora de quadra.
Mas sua contribuição vai muito além da bola.
Rivaldo participa da organização, preocupa-se para que nada falte e assume responsabilidades que continuam mesmo depois do apito final, quando muitos já foram para casa.
Porque manter viva uma tradição não exige apenas jogadores. Exige pessoas dispostas a cuidar dela. E Rivaldo é uma dessas pessoas.
GILVAN O CRAQUE DA PELADA
Gilvan carrega a fama de craque da pelada. É aquele jogador que pode decidir uma partida quando menos se espera. Quando a bola chega, os adversários sabem que alguma coisa pode acontecer.
Já o Sr. Toninho talvez seja uma das maiores representações do espírito dessa turma. Aos 72 anos, continua em forma e correndo atrás da velha e querida “pelota” sem medo de encarar ninguém.
E existe também Paulo Pestana e Nem Doido, carinhosamente conhecido como “os chorões”, ou professores (quer ensinar todo mundo a jogar), Reclama, discute, pede falta e, se for necessário, é capaz até de parar o jogo para dizer que a infração foi para o adversário, kkkkk. São dois comédias mesmo.
É resenha garantida. Mas também é um dos grandes nomes dessa história.
No futebol veterano, nem só de craques vive a resenha.
Kleber e Inácio são duas figuras que conquistaram seu espaço pela simplicidade e pelo bom humor.
Kleber é a tranquilidade em pessoa. Ganhar ou perder parece não tirar sua paz.
O problema começa quando o jogo demora a terminar: o homem sai do ginásio numa velocidade que não mostrou durante a partida, porque a patroa já está esperando!
Já Inácio é homem de poucas palavras. Ele prefere deixar os pés falarem, e quando resolve chutar, é melhor sair da frente! Seus famosos “bicudos” são tão fortes que, na brincadeira da turma, até o goleiro pensa duas vezes antes de tentar defender.
Kleber e Inácio representam aquilo que torna o futebol veterano especial: simplicidade, amizade, resenha e muita história para contar.
Porque são justamente essas personalidades, brincadeiras e histórias acumuladas ao longo dos anos que fazem uma simples partida se transformar em memória.
MUITO ALÉM DO FUTSAL
Ao longo dessa caminhada, jogadores chegaram, outros seguiram caminhos diferentes, cabelos ficaram brancos e o ritmo naturalmente mudou.
Mas uma coisa permaneceu.
Em uma época em que tudo parece acontecer depressa, manter uma tradição esportiva durante tantos anos significa muito mais do que organizar partidas.
Significa preservar encontros.
Significa cuidar da saúde.
Significa dar risada das mesmas histórias.
Significa disputar cada bola como se fosse uma final e, minutos depois, voltar a ser apenas um grupo de amigos.
A Pelada de Veteranos de Valparaíso mostra que o esporte não precisa de grandes arquibancadas ou milhões de espectadores para produzir grandes histórias.
Às vezes, basta uma quadra, uma bola e pessoas que se recusam a deixar a paixão pelo futebol envelhecer.
Porque o placar de uma partida pode ser esquecido.
Os gols podem desaparecer da memória.
Mas uma amizade construída durante anos dentro de uma quadra… essa permanece.
19 anos de bola rolando. 19 anos de resenha. 19 anos de amizade. E uma história que ainda está longe do apito final.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se