Robson Careca: O atleta que desafia o tempo
Por Ary dos Reis - Jornalista
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Há homens que não pertencem apenas ao presente, eles são parte viva da história.
Conversador, pacato, prestativo e dono de um sorriso sempre pronto, Robson é daqueles personagens que o futebol amador transformou em lenda.
O apelido “Careca” é quase uma marca registrada, um símbolo de afeto que atravessa gerações.
Onde quer que vá, há sempre alguém para cumprimentá-lo, relembrar histórias, rir de antigas resenhas e lembrar de um gol perdido ou de uma vitória inesquecível.
O futebol que começou no barro ou varzea e virou história
Robson é filho do tempo em que o futebol nascia na poeira dos campos de terra batida ou varzea, quando o som da bola misturava-se ao das gargalhadas, gritos, xingamentos e o suor se confundia com a alegria.
Viveu o auge dos campos de várzea, quando cada bairro tinha seu estádio improvisado e cada jogo era uma festa de comunidade.
Foi ali, entre o Campo da Zona(Parque São Bernardo), o lendário Campo do Estrela do Boró e o histórico União, dos irmãos Janjão e Domingão no Jardim Oriente, que Robson escreveu capítulos de uma vida inteira dedicada à bola.
Esses campos, hoje cheios de lembranças, foram o palco de encontros com craques que marcaram o passado longínquo, nomes que ajudaram a construir a alma esportiva de Valparaíso e do Entorno.
Robson jogou com todos eles e, mais que isso, manteve viva a essência do futebol simples, puro e apaixonado, aquele que nasce do coração e não depende de holofotes.
Um guerreiro louco dentro de campo, um amigo diferenciado fora dele
Mas quem o vê tranquilo nas conversas, mal imagina o que acontece quando a bola rola.
Ao soar do apito, Robson se transforma.
Corre como um menino, marca como um leão, fala, vibra, reclama, xinga (e muito) vive cada lance com intensidade e alma.
No meio-campo ou na cabeça de área, é o pulmão da equipe.
Ninguém quer perder quando ele está em campo.
E, mesmo quando a partida termina, ele continua inspirando os mais jovens não por palavras, mas pelo exemplo silencioso de quem mostra que a paixão verdadeira nunca envelhece.
Depois do jogo, volta o homem sereno, tranquilo e amigo.
Vem o riso fácil, o abraço sincero e, claro, o churrasco e a resenha.
Porque o futebol, para Robson, nunca foi apenas competição sempre foi comunhão, amizade, alegria e vida.
Em conversa com o jornalista Ary dos Reis, que há anos acompanha sua trajetória, Robson não falou de troféus ou glórias individuais.
Preferiu relembrar os amigos, as rivalidades saudáveis e os tempos em que os jogos começavam ao som de apitos feitos de latinha e terminavam com bola nos vizinhos do campo e sorriso no rosto.
É a lembrança viva de que o futebol não é feito apenas de campeonatos, mas de histórias humanas, de encontros, de emoção e de amizade verdadeira.
E enquanto houver um campo, uma bola e um grupo de amigos prontos para jogar, haverá sempre o eco de sua voz, o brilho de sua garra e o exemplo de sua paixão correndo livres pelos gramados e campos da vida.